Governo renova isenção de imposto para peças de carros elétricos, favorecendo BYD
Governo renova isenção de imposto para peças de carros elétricos, favorecendo BYD O governo diz que está empurrando o Brasil para o carro elétrico do futuro. As montadoras tradicionais respondem que está, na prática, abrindo a porteira para a China — mais especificamente para a BYD.
O que o governo diz
Pelo pacote renovado pelo Gecex/Camex, seguem por mais seis meses as cotas de importação, com imposto de importação zero, para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), até o limite de US$ 463 milhões. Na narrativa oficial, isso não é um afago à BYD, mas uma peça da política de transição verde.
O Gecex afirma que a medida “busca alinhar a política comercial a iniciativas voltadas à renovação da frota, incentivo à inovação e redução das emissões de carbono no setor automotivo”. O MDIC reforça que ela “converge com outras iniciativas (…) com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO₂”. Em paralelo, as vendas de elétricos disparam e montadoras chinesas, como BYD e Geely, já anunciaram projetos industriais locais.
O que as montadoras veem
Do outro lado, Anfavea e gigantes como Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota enxergam quebra de acordo e distorção competitiva. A associação classifica a cota como “contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças” e diz ver a decisão com “grande preocupação”.
A entidade fala em “concorrência desleal” e “retrocesso”, tomada “sem consulta ao setor produtivo”, que reabre um benefício que havia sido encerrado em 2026 após longo debate. Agora, avalia ir à Justiça por rompimento de um entendimento anterior que previa o fim da isenção e a aplicação integral da tarifa de 35%.
E a BYD no meio disso tudo
Na prática, a renovação atende “basicamente à chinesa BYD”, que respondeu por cerca de 85% das importações do setor e opera com montagem em Camaçari (BA). O benefício é considerado crucial para a transição da fábrica baiana, que ainda depende de veículos montados e desmontados enquanto não conclui o projeto industrial.
Resultado: o governo se vende como campeão da descarbonização; as montadoras tradicionais, como defensoras do emprego local; e a BYD, como pivô de uma guerra fiscal que está só começando.
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