Operação da PF investiga Banco Digimais, de Edir Macedo, por fraudes financeiras
Operação da PF investiga Banco Digimais, de Edir Macedo, por fraudes financeiras A ofensiva da Polícia Federal contra o Banco Digimais expõe bem mais que um rombo contábil: virou campo de batalha político entre aliados do governo e a oposição, ambos tentando enquadrar o banco de Edir Macedo em suas narrativas.
O foco da PF: fraude em série e patrimônio inflado
Veículos alinhados ao governo destacam a gravidade técnica do caso e o protagonismo dos órgãos de controle. A PF descreve um esquema contábil em que Macedo teria descumprido ordem do Banco Central de aportar R$ 250 milhões e, em vez disso, simulado um empréstimo de R$ 741,3 milhões para tapar o buraco no Digimais, o que levou à suspensão da venda ao BTG Pactual e colocou o banco na rota da liquidação.
A governança do Digimais é retratada como altamente concentrada em um núcleo ligado ao bispo, com pai e filho — ambos próximos à Igreja Universal — ocupando simultaneamente os dois principais cargos de comando do banco. A PF também aponta que o Digimais teria inflado quase dez vezes o valor de cotas de fundos, criando artificialmente patrimônio de centenas de milhões de reais. Outro relatório fala em um esquema semelhante ao do já problemático Banco Master.
Oposição mira Campos Neto, FGC e o sistema
A oposição usa o caso para mirar mais alto: o sistema financeiro e o Banco Central de Roberto Campos Neto. Um dos relatos enfatiza que o “banco de Edir Macedo vira alvo da PF” por suposto esquema para ocultar a situação real do Digimais, com bloqueio de até R$ 670,3 milhões e suspeita de manipulação de dados em sistemas oficiais do BC.
Outro texto detalha o “passo a passo da fraude” e descreve uma engenharia contábil para inflar ativos quase sem valor, gerar renda fictícia de R$ 199 milhões e repetir “quase milimetricamente” as táticas que derrubaram o Banco Master. Há ainda a acusação de que o Digimais teria “copiado fraudes do Master”, usando a proteção do Fundo Garantidor de Créditos como colchão para prejuízos, numa estratégia que, segundo a PF, preservaria o patrimônio dos controladores às custas do sistema.
Outro flanco explorado é político: a lembrança de que o Digimais foi autorizado a operar em 2020, já sob Campos Neto, em processo comparado ao caso Master. A narrativa ganha ainda mais peso com a revelação de que a PF pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Edir Macedo e o bloqueio de até R$ 670,3 milhões, medida confirmada pela Justiça, que também autorizou apreensão de bens e ampliou o cerco a executivos e empresas ligadas ao grupo.
No meio do fogo cruzado, uma convergência rara: tanto governistas quanto oposicionistas pintam o Digimais como símbolo de um sistema que deixou a maquiagem contábil correr solta até que a “miragem” ruiu.
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