Lula lança nova fase do programa Celular Seguro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou uma nova fase do programa Celular Seguro, que agora se torna uma política pública permanente. A iniciativa cria o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR) para combater o roubo, furto e a receptação de aparelhos, funcionando como um "Serasa dos celulares roubados".
Lula lança nova fase do programa Celular Seguro

Lula lança nova fase do programa Celular Seguro O novo “Serasa dos celulares roubados” de Lula virou vitrine de duas narrativas opostas sobre segurança pública: avanço tecnológico para desidratar o crime ou cortina de fumaça que evita enfrentar bandido de frente.

De um lado, o governo vende o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR) como mudança de patamar. A nova fase do Celular Seguro é descrita como “uma mudança significativa na estratégia de enfrentamento desse tipo de crime”, ao atacar diretamente o mercado ilegal que financia roubos e furtos. Para aliados, Lula está criando “plataforma para coibir roubos de celulares e vendas ilegais” e convertendo o programa em política pública permanente, com integração entre União, estados, Anatel, operadoras e sistemas nacionais de segurança. A ideia é simples: transformar o cadastro em um “Serasa dos celulares roubados”, permitindo que o consumidor consulte o IMEI antes de comprar um usado e assim estrangular o mercado de receptação.

No discurso oficial, há tecnologia e pedagogia. Lula insiste que o celular hoje “é um banco de dados de informações da sua vida” e mistura prevenção com apelo ao comportamento do cidadão: pede que o usuário “não fique vacilando com celular” e “veja se tem alguém andando de bicicleta perto de você, fazendo pirueta, porque você pode ser assaltado”. Quem estiver com aparelho irregular e o entregar colaborando com investigações não será punido, numa tentativa de mirar na cadeia de receptação, não no consumidor final.

Já a oposição enxerga mais marketing que combate ao crime. Para o colunista Alexandre Garcia, a “única ideia do governo contra roubo de celulares é fazer o aparelho avisar que é roubado”, um remendo que ignora o óbvio: sem endurecer penas para receptação, continuará valendo a lógica do “baratinato” que alimenta o roubo. Outro flanco de crítica é o foco em responsabilizar o cidadão – Lula pedindo que a população “não vacile” com o celular na rua – em vez de confrontar de forma mais dura assaltantes e receptadores.

No fim, governo e críticos até concordam no diagnóstico – o problema é a cadeia de receptação. Divergem brutalmente, porém, na cura: o Planalto aposta em cadastro, integração de dados e mudança de comportamento; a oposição cobra polícia, penas mais duras e menos sermão para quem anda com o celular na mão.

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