Keiko Fujimori vence eleição presidencial no Peru
Keiko Fujimori vence eleição presidencial no Peru Keiko Fujimori venceu por uma unha — e metade do Peru jura que lhe roubaram a vitória. A outra metade diz que a democracia falou, gostem ou não do sobrenome que volta ao Palácio Pizarro.
Keiko, a “vitória matemática” e o selo institucional
Nos veículos alinhados ao establishment, o enredo é de normalidade eleitoral com final já escrito. Com 50,11% dos votos válidos e uma diferença de cerca de 43 mil votos, Keiko “conquistou uma vantagem insuperável” sobre Roberto Sánchez, segundo a autoridade eleitoral peruana. O G1 fala em “vantagem irreversível” e destaca que, mesmo se Sánchez levasse todos os votos restantes, não ultrapassaria a rival. O Globo crava que a diferença “não pode mais ser revertida”, mesmo com urnas ainda a contar.
A narrativa oficialista vai além dos números: a UOL já trata Keiko como “nova presidente do Peru”, sublinhando sua persistência — quarta tentativa — e o retorno assumido ao legado do pai, Alberto Fujimori, com promessas de linha-dura contra crime e corrupção.
Sánchez, a “fraude em curso” e a resistência nas ruas
Do outro lado, a esquerda de Sánchez descreve outro país. O candidato diz que “há fraude em curso” na contagem e promete não reconhecer “o governo de Fujimori”, convocando marchas de protesto. Em entrevista repercutida pelo Brasil 247, ele chama seus apoiadores à “resistência patriótica” nas ruas contra o que vê como manipulação dos votos do exterior.
Sua coalizão Juntos por el Perú declara que “o voto dos cidadãos foi deslegitimado” e denuncia “falta de transparência” e “irregularidades” que ameaçariam a vontade popular. Um pedido de anulação de cerca de 300 mil votos de peruanos no exterior — base da virada pró-Keiko — é apresentado como defesa das regras do jogo, mas advogados eleitorais vêm classificando os recursos como sem fundamento jurídico.
Direita em festa, guerra cultural em marcha
Na oposição de direita brasileira, a eleição vira troféu ideológico. Um site celebra sem pudor: “Keiko é a presidente do Peru. Não pode mais ser alcançada. Vitória da direita”. Outro portal conservador destaca que, se os votos externos fossem anulados, Sánchez viraria o jogo, mas ressalta o passado autoritário e as acusações de crimes contra a humanidade de Alberto Fujimori para enquadrar a disputa no velho duelo “fujimorismo versus esquerda chavista”.
Nas redes, a eleição peruana é imediatamente importada para o debate brasileiro. Rodrigo Constantino aproveita o caos para cutucar o TSE: “Ainda podemos defender voto impresso no Brasil ou já virou crime?”.
No fim, todos dizem defender a democracia — cada um com sua aritmética, seu vilão e sua rua para chamar de sua.
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