PF investiga Banco Digimais, de Edir Macedo, por suspeita de fraude
- PF, mercado e oposição: o banco da “miragem”
- Universal, Macedo e a narrativa da perseguição
- Governo-alinhados: da crítica à blindagem midiática
- O ponto em comum: o tamanho do estrago
PF investiga Banco Digimais, de Edir Macedo, por suspeita de fraude A Operação Miragem pôs o Banco Digimais, ligado a Edir Macedo, no centro de um terremoto que mistura suspeita de fraude, política, fé e mídia. Enquanto a PF fala em maquiagem contábil bilionária, a Igreja Universal grita perseguição e a Record quase finge que nada aconteceu.
PF, mercado e oposição: o banco da “miragem”
Para investigadores, o Digimais montou uma “complexa engenharia financeira” para inflar ativos, manipular balanços e parecer mais sólido do que realmente era, tentando inclusive “induzir Banco Central a erro”. A PF aponta práticas análogas às do liquidado Banco Master, com CDBs acima de 110% do CDI, ativos superavaliados e balanços distorcidos para sustentar resultados artificiais.
Relatórios do BC falam em manobra de cerca de R$ 670 milhões via fundos, com cotas que saltaram de R$ 71 milhões para R$ 741,3 milhões antes de a autarquia mandar reverter o truque. Outra frente mira a disparada de 1.130% nos CDBs do banco em oito anos, até R$ 8,5 bilhões, supostamente ancorada em remunerações agressivas e na proteção do FGC para mascarar fragilidades de capital.
Enquanto isso, o Digimais segue mirando o funcionalismo: mais de 100 novos convênios públicos de consignado, apesar da operação da PF, mostram que o apetite por folha de pagamento estatal continua intacto. O governador Tarcísio de Freitas agora é cobrado por ter credenciado o banco para consignado da PM mesmo diante de “prejuízos, denúncias e sinais de alerta”.
Universal, Macedo e a narrativa da perseguição
Do lado religioso, a reação veio em duas camadas. Primeiro, o gesto simbólico: de um apartamento de luxo em Miami, Macedo respondeu com versículo bíblico sobre “grande ira”, evitando falar diretamente da PF. Depois, a nota oficial da Igreja Universal isentando o bispo de qualquer gestão do banco e atacando a imprensa por “notícias falsas, tendenciosas e maldosas”.
O contraste é gritante com o dossiê da PF, que pede bloqueio de até R$ 670 milhões, quebra de sigilo do próprio Macedo e descreve o Digimais como banco “sob o controle” do religioso. Paralelamente, reportagens lembram que, enquanto o banco tem bens bloqueados, a fortuna pessoal de Macedo é estimada em R$ 10,4 bilhões e sustentada por um império de dízimos, concessões públicas, jatos e imóveis de altíssimo padrão.
Governo-alinhados: da crítica à blindagem midiática
Veículos próximos ao campo governista exploram o flanco político e sistêmico. Análises mostram que a Operação Miragem se encaixa numa sequência de casos (Master, Lagoinha, agora Digimais) que, nos grupos de WhatsApp, alimentam a percepção de que “igreja virou banco” e virou máquina de crime financeiro — enquanto a tese de perseguição religiosa é minoritária, aparecendo em só 2,9% das mensagens.
Outra frente é midiática: a Record, de Macedo, praticamente passou pano. Dois dos três principais telejornais ignoraram o caso; o Jornal da Record reservou míseros 33 segundos para ler a nota em que o banco se diz transparente e “à disposição” das autoridades. SBT, Band, RedeTV! e Globo deram vários minutos à operação, deixando a emissora do bispo isolada na tentativa de minimizar o escândalo.
O ponto em comum: o tamanho do estrago
Oposição, analistas e parte da imprensa convergem em um ponto: se confirmadas as acusações de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos e operações vedadas, o Digimais não é só um problema de um banco, mas de confiança no sistema financeiro e na mistura explosiva entre púlpito, política e crédito consignado.
https://resumosbrasil.com/stories/019efbbe-7b44-1db3-7138-1ab7cb96c65a
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