STF adia julgamento sobre vínculo empregatício de trabalhadores de aplicativos

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, adiou o julgamento que poderia definir o vínculo empregatício entre motoristas e entregadores de aplicativos e as plataformas digitais. O adiamento atendeu a um pedido para que as partes se manifestem sobre a recém-aprovada Convenção nº 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do trabalho em plataformas.
STF adia julgamento sobre vínculo empregatício de trabalhadores de aplicativos

STF adia julgamento sobre vínculo empregatício de trabalhadores de aplicativos O relógio do Supremo parou na hora da “uberização”, mas o tempo político corre solto: o adiamento do julgamento que pode redesenhar o trabalho por aplicativo virou munição para todos os lados.

De um lado, veículos críticos ao governo e à ampliação de regulação tratam o movimento como mais um freio em um debate que já se arrasta. A Gazeta do Povo destaca que Fachin tirou o caso de pauta para considerar a nova Convenção nº 193 da OIT, reconhecida como “fato novo” capaz de “mudar os rumos do julgamento”. O Brasil Paralelo reforça o peso econômico da decisão, lembrando que o STF decidirá se motoristas e entregadores serão empregados com direitos como férias e FGTS ou se continuarão como autônomos, num veredito que “pode mudar o trabalho por aplicativo no Brasil”. Já a Fórum enfatiza a disputa das plataformas com a Justiça do Trabalho e sublinha o argumento da Uber de que é “empresa de tecnologia” e que reconhecer vínculo violaria a livre iniciativa.

Do outro lado, a imprensa alinhada ao governo lê o adiamento como cautela institucional. A CartaCapital ressalta que o pedido partiu do MPT e da DPU, após a aprovação da Convenção 193 da OIT sobre trabalho em plataformas digitais, e registra a justificativa de Fachin ao falar da “relevância internacional” da norma e de seus “possíveis impactos” no caso. O Brasil 247 segue a mesma linha, destacando que o julgamento só retomará depois que todas as partes se manifestarem sobre a convenção recém-aprovada. Já o UOL resume o gesto como resposta direta ao pedido da Defensoria Pública da União, mantendo em suspenso a definição do vínculo entre aplicativos e trabalhadores.

Em comum, os dois campos reconhecem: a decisão está empacada, e o STF segura nas mãos não só o futuro jurídico da “uberização”, mas também o modelo de negócios de gigantes como Uber, Rappi e iFood – e o bolso de milhões de trabalhadores que ainda não sabem se são empreendedores de si mesmos ou empregados sem carteira.

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