Itamaraty critica participação de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA

O Ministério das Relações Exteriores criticou a intenção do senador Flávio Bolsonaro de participar de uma audiência pública nos Estados Unidos sobre tarifas contra produtos brasileiros. Em nota, o Itamaraty afirmou que a defesa dos interesses nacionais ocorre por canais oficiais e classificou a iniciativa como um ato de "traidores da pátria".
Itamaraty critica participação de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA

Itamaraty critica participação de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA O Itamaraty transformou uma disputa comercial em duelo político: de um lado, a diplomacia profissional; de outro, um senador pré-candidato que tenta se apresentar como salvador das exportações brasileiras. No centro, um tarifaço de 25% dos EUA contra produtos do Brasil — e a acusação incendiária de “traidores da pátria”.

Itamaraty x Flávio: quem fala pelo Brasil?

A chancelaria deixou claro que considera a ida de Flávio Bolsonaro à audiência da Seção 301 em Washington um gesto político que atrapalha, não ajuda. Em nota, o ministério afirmou que “os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história” e que o tarifaço nasce de “tentativa de interferência externa na Justiça brasileira”. Outro recado: audiências como essa são “espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil” e nem China nem União Europeia mandam representantes oficiais.

Para reforçar que o governo não está inerte, o Itamaraty sublinha que já apresentou “duas defesas escritas” e realizou reuniões de alto nível em Washington, sustentando que as políticas brasileiras “não prejudicam o comércio com os Estados Unidos”. Em tom raramente visto, cobrou ainda um “pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros”.

Narrativa bolsonarista: de vilão do tarifaço a negociador

Do outro lado, aliados de Flávio tentam virar o jogo. A participação na audiência é apresentada como tentativa de suspender as tarifas e propor “uma negociação de boa fé com o Brasil”, além de uma “defesa efusiva do Pix” como ferramenta benéfica também para empresas americanas.

Nos bastidores, porém, o próprio governo associa o senador ao nascimento do tarifaço, lembrando o encontro com Donald Trump dois dias antes do anúncio das tarifas e alimentando o apelido de “Tariflávio”. Enquanto o Itamaraty tenta blindar a política externa de uso eleitoral, a oposição explora a nota dura da chancelaria como prova de perseguição ao bolsonarismo — e o tarifaço vira munição para 2026, tanto em Brasília quanto em Washington.

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