EUA x Irã: Trump pede mais verba e discute com senador sobre poderes de guerra
EUA x Irã: Trump pede mais verba e discute com senador sobre poderes de guerra Washington está em guerra em três frentes ao mesmo tempo: contra o Irã, contra o próprio Congresso e, de quebra, contra os aliados da OTAN. O pedido de quase US$ 90 bilhões extras expôs a fissura dentro do Partido Republicano e a fadiga de aliados no exterior.
De um lado, a Casa Branca tenta vender o pacote como necessidade técnica e urgente. O governo fala em “necessidades urgentes” ligadas à guerra contra o Irã, incluindo US$ 21 bilhões para munições e reforço da base industrial militar. No total, Trump pediu cerca de US$ 88 bilhões em recursos adicionais, “boa parte destinados ao Pentágono”, com o grosso voltado a repor estoques em meio ao conflito. De quebra, o pacote inclui verbas para saúde global, ebola e apoio a agricultores americanos.
Do outro lado da avenida, no Capitólio, cresce o ceticismo – inclusive entre republicanos. Em reunião fechada, Trump enfrentou “uma rara pressão dentro do próprio Partido Republicano”. O encontro terminou em “bate-boca e gritaria”, com o presidente chamando o senador Bill Cassidy de “perdedor” por ele apoiar uma resolução que limita os poderes de guerra da Casa Branca. Cassidy retrucou que “o povo americano precisa saber mais do que está sendo dito” e que a guerra, prometida para durar quatro semanas, já se arrasta por quatro meses sem atingir os objetivos iniciais.
Externamente, o confronto é com a OTAN. Trump “voltou a pressionar os aliados europeus” por não terem entrado diretamente na guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Ao mesmo tempo em que gaba-se de que os EUA “não precisam de ajuda nenhuma” e “desmantelaram” o Irã “na primeira semana”, considera “decepcionante” a ausência de apoio público dos parceiros.
Comparando os campos: Trump pinta uma guerra rápida, barata para os EUA e cara para os outros. O Congresso, inclusive parte dos republicanos, enxerga um conflito caro, prolongado e mal explicado. Já a OTAN tenta não virar cúmplice de uma guerra impopular, enquanto é cobrada como se estivesse em débito com o “líder do mundo livre”.
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