Lula retoma obras de fábrica de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas (MS)
Lula retoma obras de fábrica de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas (MS) Lula transformou uma obra-fantasma em vitrine de soberania econômica. Mas, por trás da fanfarra em Três Lagoas, a UFN-3 continua sendo um projeto bilionário, atrasado há mais de uma década e com promessa de entrega só para 2029.
O discurso do governo: soberania, comida na mesa e Novo PAC
Na versão oficial, a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3) é peça-chave de um reposicionamento do Estado e da Petrobras na economia. Com mais de R$ 5 bilhões em investimentos via Novo PAC, o governo diz que a fábrica poderá produzir cerca de 1,3 milhão de toneladas anuais de ureia, algo como 16% da demanda nacional, aliviando a dependência externa e ajudando a segurar o preço dos alimentos.
Lula vende o projeto como pilar de soberania: o país precisa “ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos”, porque “um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”. Para ele, deixar uma planta quase pronta parada por 12 anos, enquanto o Brasil paga “preços absurdos de fertilizantes que poderiam ser produzidos” aqui, é o símbolo da agenda “privatista e entreguista” dos governos Temer e Bolsonaro.
Petrobras e agronegócio: pragmatismo industrial
A Petrobras, por sua vez, enfatiza menos a disputa ideológica e mais a engenharia do negócio: o conselho aprovou a retomada depois de confirmar a viabilidade econômica do projeto e dividir a conclusão em múltiplos lotes para reduzir riscos e ampliar concorrência empresarial.
No papel, o benefício para o agro é direto: a unidade deve produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil de amônia, abastecendo cerca de 15–16% da demanda nacional e atendendo principalmente o Centro-Oeste, que concentra 40% do consumo de ureia.
Entre a promessa e o calendário
Há, porém, um contraste gritante entre o tom de urgência política e o cronograma: uma obra iniciada em 2011, paralisada desde 2014–2015 e com conclusão projetada apenas para 2029.
Enquanto o governo pinta a retomada como “certeza de futuro para os brasileiros” e fala em 8 mil empregos diretos e indiretos, o fato duro é que o campo continuará dependente de fertilizante importado por pelo menos mais três safras presidenciais. A disputa, agora, é se a UFN-3 ficará na história como marco de reindustrialização ou como o exemplo mais caro do país que sempre chega atrasado à própria estratégia.
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