Petrobras retoma obras de fábrica de fertilizantes de R$ 5 bilhões no MS
Petrobras retoma obras de fábrica de fertilizantes de R$ 5 bilhões no MS A retomada da UFN-III, a bilionária fábrica de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas (MS), virou palco de disputa narrativa: para o governo, é soberania e reindustrialização; para críticos, é o renascimento caro de um esqueleto da era Dilma.
De um lado, o Planalto vende o projeto como peça-chave do Novo PAC e da independência do Brasil em insumos estratégicos. Lula discursou que o país só será soberano quando dominar a produção de fertilizantes, prometendo que o Brasil “vai construir sua soberania, sendo independente de importação de fertilizantes dos outros países”. O governo destaca que a unidade, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos, deverá produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil de amônia, respondendo por cerca de 16% da demanda nacional e reforçando a segurança alimentar. A carteira de fertilizantes da Petrobras no Novo PAC mira atender 35% do mercado de ureia até 2029.
Na mesma linha, veículos alinhados ao governo ressaltam o caráter “estratégico” do empreendimento, o fato de 81% da estrutura já estar pronta e a divisão da obra em lotes para aumentar concorrência e reduzir riscos, com um investimento total de R$ 5 bilhões e operação prevista para 2029. O discurso oficial enfatiza também os cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos e a localização próxima ao coração do agronegócio do Centro-Oeste.
Do outro lado, a crítica mira o passado e o preço. A UFN-III é lembrada como obra iniciada em 2011, paralisada em 2014 em meio à crise da Petrobras e à Lava Jato, que atingiu a então contratada Galvão Engenharia. Para a oposição, o anúncio de “mais R$ 5 bilhões para concluir obra parada desde o governo Dilma” resume o problema: mais dinheiro público num projeto que ficou abandonado por mais de uma década.
No fundo, ambos os lados concordam em algo: o Brasil importa fertilizantes demais e Três Lagoas pode ser parte da solução. A briga é sobre o custo político e financeiro de reativar um símbolo da velha Petrobras – e quem vai capitalizar, em 2029, se a aposta der certo.
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