Braskem obtém proteção judicial de 60 dias para renegociar dívidas

A Braskem conseguiu na Justiça de São Paulo uma suspensão de 60 dias de suas obrigações financeiras, obtendo proteção contra credores. A medida permite que a empresa petroquímica, que enfrenta uma crise de caixa e alto endividamento, reestruture suas finanças e renegocie suas dívidas.
Braskem obtém proteção judicial de 60 dias para renegociar dívidas

Braskem obtém proteção judicial de 60 dias para renegociar dívidas A Braskem ganhou 60 dias de fôlego na Justiça, mas o relógio continua correndo: ou a petroquímica convence credores e opinião pública, ou a crise financeira e reputacional cobra a conta.

De um lado, a leitura mais crítica destaca o caráter defensivo da manobra. A decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo dá à empresa um “alívio de 60 dias contra credores em meio a reestruturação”, suspendendo execuções e restrições judiciais de quem topar sentar à mesa de mediação. Esse campo sublinha que a companhia queima caixa aceleradamente — foram R$ 5,039 bilhões só no primeiro trimestre, pressionados por juros de uma dívida de US$ 8,5 bilhões — e que o problema não é apenas financeiro: pesa também a conta ambiental de Maceió, onde o afundamento de solo ligado à mineração de sal‑gema levou à evacuação de mais de 14 mil imóveis e afetou cerca de 60 mil moradores.

Do outro lado, a visão mais alinhada ao governo enfatiza a lógica de “proteção para reorganizar e preservar a empresa”. A mesma 2ª Vara concedeu proteção judicial por 60 dias, garantindo a “suspensão de todas as execuções e constrições por credores que tenham sido convidados a participar da mediação instaurada pela companhia”. O foco, aqui, está em salvar a sexta maior petroquímica do mundo, sufocada por uma dívida equivalente a quase 15 vezes o Ebitda no fim de 2025 e por anos de juros altos, preços deprimidos e gastos com a tragédia de Maceió.

Há convergência num ponto incômodo: o plano de reestruturação apresentado foi considerado “totalmente insatisfatório” pelos maiores credores. A nova sócia IG4, especializada em reestruturação, tenta costurar um acordo que inclui extensão de prazos, corte de juros e nova linha de crédito de US$ 1,5 bilhão para manter a operação, diante da projeção de caixa negativo já em 2026. Enquanto a ala crítica vê risco de socialização de prejuízos e blindagem judicial, o campo governista trata os 60 dias como última janela para evitar um colapso com impacto em empregos, cadeias industriais e contas públicas.

https://resumosbrasil.com/stories/019f05ed-12cd-3379-7024-1c3ad50a30d5

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