Em discurso em SC, Lula cita Hitler ao falar sobre racismo

Durante um evento em Santa Catarina, o presidente Lula discursou contra o racismo e mencionou Adolf Hitler ao criticar a oposição a políticas de cotas raciais e o que chamou de "hegemonia branca". Na ocasião, ele também teceu críticas diretas ao governador do estado, Jorginho Mello.
Em discurso em SC, Lula cita Hitler ao falar sobre racismo

Em discurso em SC, Lula cita Hitler ao falar sobre racismo Lula levou a guerra cultural para o litoral de Santa Catarina: em um estado majoritariamente branco e governado pela oposição, citou Hitler para atacar o racismo e as políticas anti-cotas, enquanto a direita reagiu acusando o presidente de ofender o povo catarinense.

De um lado, veículos oposicionistas destacam o tom de confronto e falam em “discurso extremamente ofensivo” ao povo de Santa Catarina. Nesse enquadramento, a ênfase está na lembrança de Hitler “em um estado com imigração alemã e maioria branca” e na narrativa de que Lula teria feito “ataques covardes” aos catarinenses ao falar em “hegemonia da ignorância” ao criticar a chamada hegemonia branca. Os mesmos textos resgatam ainda entrevista antiga em que o então líder sindical dizia admirar a “disposição” do ditador, para sugerir hipocrisia nas atuais condenações.

Do outro lado, a cobertura mais alinhada ao governo enquadra o episódio como um ato de campanha contra o racismo e contra a política do governador Jorginho Mello. Lula é mostrado criticando a lei estadual que proibia cotas raciais, derrubada depois por decisão unânime do STF, e vinculando a rejeição às cotas ao incômodo de setores que não aceitam que “hoje o povo negro está na universidade na mesma proporção que o povo branco”. Nessa leitura, a fala sobre Hitler aparece como alerta histórico contra “essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país” em um estado que barrou cotas e onde 76,28% da população se declara branca.

Há, porém, um ponto em comum: ambos os lados reconhecem que Lula usou Santa Catarina como palco para um recado nacional. Para a oposição, foi um ataque ideológico; para aliados, um acerto de contas com um governador hostil e com o racismo estrutural.

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