EUA e Irã trocam ataques militares, aumentando a tensão na região
EUA e Irã trocam ataques militares, aumentando a tensão na região EUA e Irã voltaram a trocar fogo pesado no Golfo como se o cessar-fogo de 10 dias atrás nunca tivesse existido. De um lado, Washington fala em “resposta direta” e ameaça apagar o Irã do mapa; do outro, Teerã acusa os EUA de rasgar o acordo e promete reação “rápida e decisiva”.
Quem começou?
Na narrativa alinhada a Washington, o roteiro é claro: o Irã teria atacado primeiro navios comerciais — o porta-contêineres Ever Lovely e depois o petroleiro M/T Kiku, de bandeira panamenha — violando a trégua e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. As Forças Armadas dos EUA dizem ter respondido com bombardeios contra “infraestrutura de vigilância, comunicação, defesa aérea, depósitos de drones e capacidades de lançamento de minas” iranianas, em dois dias seguidos de ataques. Para veículos conservadores, o quadro é simples: o Irã violou o cessar-fogo e os EUA apenas reagiram.
Já a imprensa mais crítica a Washington destaca que Teerã acusa os EUA de terem violado primeiro o Memorando de Islamabad, usando a desculpa dos drones e navios atacados para destruir instalações no litoral iraniano. Nessa versão, a “resposta” iraniana — mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait e Bahrein — seria retaliação proporcional a bombardeios anteriores dos EUA.
A disputa pelo cessar-fogo
Nos relatos pró-governo, o Centcom insiste que “o Irã teve a chance de respeitar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não fazê-lo”, usando isso para legitimar novos ataques. Veículos como Folha, G1, O Globo, UOL e Brasil 247 descrevem uma escalada em espiral: ataque a navio, bombardeio no Irã, mísseis contra bases no Golfo, novos ataques americanos, tudo em plena vigência de um pacto que deveria “encerrar imediatamente” as operações militares.
Na outra ponta, sites alinhados à oposição interna brasileira e mais simpáticos a Trump chamam o Irã de reincidente, frisam que Teerã “violou o acordo” ao atacar cargueiros e ecoam sem filtro a retórica de força de Washington.
A retórica do fim do mundo
Se há algo em que quase todos concordam é no tom incendiário de Donald Trump. Em diferentes relatos, ele repete a mesma ameaça: se tiver de “concluir militarmente o trabalho”, “a República Islâmica do Irã deixará de existir”. Para uns, é dissuasão dura; para outros, gasolina num barril de pólvora que inclui o Estreito de Ormuz — “uma das rotas energéticas mais importantes do mundo” — e um cessar-fogo já descrito como “frágil” ou, agora, virtualmente morto.
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