Crise no clã Bolsonaro: Michelle acusa Flávio e Valdemar tenta conter danos
Crise no clã Bolsonaro: Michelle acusa Flávio e Valdemar tenta conter danos A guerra de sucessão no bolsonarismo deixou o bastidor e virou reality show familiar: madrasta contra enteado, pastor contra pesquisa, cacique partidário correndo para apagar incêndio — enquanto o próprio Jair segue mudo.
De um lado, o “time Flávio” tenta pintar normalidade. Valdemar Costa Neto correu de Miami para dizer, em alto e bom som, que “Flávio foi escolhido pelo presidente Bolsonaro” para a Presidência, repetindo que o ex-presidente “sempre fez a melhor escolha” e pedindo união para não “sair perdendo em casa”. Em Goiânia, o senador reforçou o discurso de “página virada” e pediu que todos deixem as “pequenas diferenças de lado” para alcançar o mesmo objetivo.
Do outro, o campo crítico lê desespero, não pacificação. A Fórum descreve o evento em Goiás como um ato em que Flávio mirou mulheres e evangélicos, justamente o público mobilizado pelo “vídeo-bomba” de Michelle, para tentar conter “um possível naufrágio” nesse eleitorado. A mesma revista relata que a pré-campanha vive seu “pior momento” desde que Michelle expôs ataques misóginos e que Valdemar, ao ser pressionado, admitiu: “Fui proibido pelo Bolsonaro de falar”.
Enquanto isso, a própria direita bolsonarista se racha em blocos. Análise da Fórum fala em “guerra pública” que reorganiza o poder no campo extremista: Flávio com a máquina e as alianças, Michelle com PL Mulher, força evangélica e capacidade de constranger o candidato do marido. O impasse já respinga em palanques: em Minas, o Republicanos avisa que Cleitinho Azevedo pode nem dividir palco com Flávio, depois de sair em defesa de Michelle e manter votos alinhados ao governo Lula em alguns temas.
Influenciadores de direita escancaram a encruzilhada. Para Rodrigo Constantino, os gestos conciliadores “não vão bastar”: Flávio teria de escolher entre o apoio de Michelle e o de Eduardo Bolsonaro “e sua matilha de aloprados”.
No centro do furacão, falta justamente quem fundou o mito. Para Josias de Souza, o “barraco” expôs que tanto Michelle quanto Flávio reivindicam o aval de Jair — e que a crise não será estabilizada sem uma posição clara do ex-presidente, sob risco de esfarelar a tríade “Deus, pátria e família”.
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