Elogio a Helena

A brancura, na “Odisseia”, é categoria teológica antes de ser cor. Por isso a troca feita por Nolan para o papel de Helena importa.
Elogio a Helena

Elogio a Helena O artigo critica a escolha de Christopher Nolan por Lupita Nyong’o para interpretar Helena de Troia, argumentando que a atriz não possui o vínculo mítico necessário para o papel, especialmente considerando a descrição homérica da beleza grega como um brilho divino e aristocrático. A troca de Helena por uma atriz queniana é vista como um apagamento de um código cultural grego que imaginava o divino encarnado. O autor compara a situação com a inversão de papéis em mitologias africanas, como a de Oxum, para ilustrar o desrespeito cultural e questiona a motivação por trás da decisão de Nolan, vendo-a como um apagamento duplo e um ato de representatividade superficial.

  • O autor compara sua afinidade com polêmicas identitárias à sua apreciação inicial pela literatura através de Homero.
  • A escalação de Lupita Nyong’o para Helena de Troia por Christopher Nolan é criticada pela falta de vínculo com o mito.
  • A beleza de Helena, descrita por Homero como um brilho divino e aristocrático (‘leukós’, ‘leukōlenos’), é central para o mito.
  • A brancura na cultura grega homérica era uma categoria teológica, associada à divindade e aristocracia, não apenas cor de pele.
  • A decisão de Nolan apaga um código cultural grego sobre a encarnação do divino, desconsiderando a gramática do esplendor homérico.
  • O mito é flexível, mas reescritas devem ocorrer dentro da tradição, não ignorando o texto original, como Nolan teria feito.
  • A inversão do caso, imaginando Oxum interpretada por uma atriz dinamarquesa, ilustra o desrespeito cultural que a escalação de Helena representa.
  • O Elogio a Helena de Górgias rebaixava-a a objeto de forças maiores, e Nolan repete o ato ao fazê-la matéria movida de fora.
  • A escolha de Nolan é vista como um apagamento duplo da Helena grega e da mitologia africana, mascarada de representatividade.
  • O autor lamenta que um diretor talentoso como Nolan tenha se tornado um ‘funcionário’ ao preencher um formulário ideológico. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-razzo/helena-troia-odisseia-christopher-nolan/
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