A urgente reconstrução da participação social no Distrito Federal
A cidade que não escuta sua gente caminha para construir muros em vez de pontes, e Eduardo Galeano já nos alertava que “a utopia está lá no horizonte” e serve exatamente para que possamos caminhar. O Distrito Federal viveu, nos últimos anos, um processo sistemático de silenciamento das vozes populares, uma operação calculada de desmonte das instâncias e mecanismos de participação social que permitiam à população decidir os rumos de suas próprias vidas. A gestão que se encerra tratou a participação social como obstáculo a ser removido, como entrave burocrático que atrapalhava decisões já tomadas em gabinetes fechados, e, ao fazer isso, mais do que enfraquecer a democracia local, aprofundou desigualdades que poderiam ter sido enfrentadas se a população fosse ouvida. O sucateamento das Instituições Participativas (IPs) no DF se insere em um movimento mais amplo de fragilização das instituições democráticas que o governo Lula 3 atuou para reverter na esfera federal.